Opinião

Farpas – Recuperar o que a direita destruiu

Recuperar o que a direita destruiu

O primeiro-ministro foi há dias ao Parlamento, num dos debates
quinzenais, garantir que uma das tarefas prioritárias do Governo que lidera
é recuperar aquilo que o anterior executivo de direita do PSD/CDS destruiu
meticulosa e regularmente durante os quatro anos em que esteve no poder.

Mesmo para o observador mais distanciado destas questões partidárias não
deixa de parecer no mínimo estranho que só agora na oposição é que PSD e
CDS-PP se lembrem de ensaiar uma retórica sobre os problemas e as
dificuldades de alguns sectores da população quando durante a legislatura
anterior em que tinham a faca e o queijo na mão nada fizeram para
melhorar a vida dos portugueses, optando antes por cortar salários e
pensões, diminuir prestações sociais, aumentar taxas moderadoras no SNS
mostrando assim que ao contrário das falsas reivindicações que hoje
reclamam continuam como sempre foram: dois partidos que dizem uma
coisa na oposição e outra bem diferente e quase sempre oposta quando têm
a mão no pote.

Por vezes é não só saudável como assume mesmo um carácter assaz
necessário que não nos esqueçamos do passado e do que foi dito e
defendido por este ou por aquele político. A este propósito é de recordar o
que afirmou o anterior líder da bancada parlamentar do PSD, partido maior
do então governo do PSD/CDS, Luís Montenegro quando de uma forma no
mínimo displicente e não menos aborrecida, defendeu que a “vida das
pessoas não estava melhor, mas que a do país estava muito melhor”, o que
entre outras coisas demonstra claramente o desprezo e a indiferença que a
direita consagra na sua ideologia à maioria da população.

Voltando aos dias de hoje e à postura dos partidos de direita com
representação parlamentar, e depois de termos assistido na passada quarta-
feira à manobra política mais onírica dos últimos anos com a apresentação
de uma moção de censura ao Governo do CDS que configurava mais uma
crítica ao PSD, o que constatamos em prejuízo da democracia é que a
direita portuguesa anda sem estratégia política sustentável e a viver de
balões de oxigénio dos ‘faits divers’ diários normalmente os sugeridos em
reportagens de jornais ou em televisões.

É por isso que o mais caricato, custe o que custar aos partidos da direita, é
o país estar a assistir atónito à mesma direita que tirou tudo a quase todos
querer agora apresentar-se perante a opinião pública nacional como a
grande apoiante de todas as lutas que aparecem, sejam as dos professores
que desprezaram, quer dos enfermeiros que mandaram emigrar.

Rui Solano de Almeida – Jornalista

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