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Nuno Duarte (Jel): o regresso à SIC Radical e o desprezo por enguias

Nuno Duarte, um dos rostos dos Homens da Luta, irá estrear um novo programa na SIC Radical. Dá pelo nome de «Como Isto Anda» e assume um registo mais documental. Agir, Fernando Rocha e Cristina Ferreira são algumas das personalidades convidadas. Numa entrevista pouco convencional, Nuno Duarte fala sobre as intenções deste novo projecto e da passagem dos Homens da Luta pelo Eurofestival da Canção (já lá vão 8 anos). Comédia, televisão e até sardinhas são outros tópicos que integram esta conversa, na qual Nuno Duarte revela-se uma pessoa mais amadurecida e pouco dado a saudosismos.

 

Tens alguma ligação ao Ribatejo?

Nenhuma. Embora conheça um pouco.

 

Em Março, por exemplo, assinala-se o Mês da Enguia, no concelho de Salvaterra de Magos. Suscita-te algum comentário?

Apenas isto: não sou grande apreciador de enguias.

 

«Como Isto Anda» é o teu novo programa na SIC Radical. O que se pode esperar deste formato?

Basicamente, é uma série de 7 episódios, documental, onde entrevisto cerca de 35 pessoas de várias áreas, de modo a ter uma ideia do que mudou em Portugal nos últimos 18 anos – que é a idade da SIC Radical.

 

A data de estreia já está definida?

Ainda não está definida. Mas deve ser em Abril.

 

Como surgiu o «Como Isto Anda»?

Partiu de um desafio do director da SIC Radical, o Pedro Boucherie, mas o conteúdo e a forma são integralmente da minha autoria.

 

O programa contará com a participação de figuras como Agir, Fernando Rocha, Cristina Ferreira, Nuno Norte e Daniel Oliveira, entre outros. Algum deles surpreendeu-te em especial?

De uma certa forma, o que me surpreendeu verdadeiramente foi a maneira fluída e descomprometida com que todas as conversas decorreram.

 

E, afinal, como isto anda? O país bateu definitivamente no fundo ou ainda há uma réstia de esperança?

Na minha opinião, há muita esperança. Estamos a viver um momento dinâmico no nosso país, em diversas áreas, e este programa reflecte um pouco isso.

Jel: “Eu não acredito piamente em nada. O que aconteceu foi que, em 2011, concorremos e ganhámos o Festival da Canção” Foto: DR

Os Homens da Luta teriam, hoje, uma intervenção menos contestatária?

Os Homens da Luta, como personagens ficcionais que são, teriam uma intervenção contestatária como sempre – e, nos intervalos, comeriam lagosta e beberiam champanhe, como habitual.

 

Sentes-te perseguido pelo passado, pela constante referência aos Homens da Luta?

É fácil, para mim, descolar-me das personagens que criei. Talvez seja mais difícil para os outros fazê-lo, mas isso é natural e consequência do impacto que os Homens da Luta tiveram.

 

Sempre acreditaste piamente que Portugal viesse a ser representado pelos Homens da Luta, no Festival Eurovisão da Canção?

Eu não acredito piamente em nada. O que aconteceu foi que, em 2011, concorremos e ganhámos o Festival da Canção [assegurando, assim, a presença na Eurovisão, em 2011, na Alemanha].

 

Conan Osíris [vencedor da edição deste ano do Festival da Canção]. Como encaras fenómenos como este?

Encaro com naturalidade. Vivemos uma época dominada pela cultura do espectáculo, onde a diferença é um grande capital. isto já não é de agora e prevejo que vá continuar e acentuar-se.

 

Como está a televisão generalista? Estamos a dar ao povo aquilo que ele realmente quer ver?

Vejo pouca televisão generalista, devo confessar. Felizmente, hoje todos temos opções no que respeita ao que vemos, ouvimos e lemos – mas nem sempre foi assim. Não sou moralista. Portanto, é-me indiferente o que a maioria das pessoas vê ou quer ver.

 

Como descreves a tua ligação com a SIC Radical? A dada altura, confessaste que quase pagaste para fazer o programa «Vai Tudo Abaixo»…

É uma relação que continua a evoluir. Ao princípio, é um facto que não havia muito dinheiro, tanto para mim como para todos os que lá andavam. Mas, em contrapartida, sempre houve muita liberdade. Com o passar do tempo, a parte financeira melhorou e isso fez com que fosse possível ter feito muita coisa. Nos últimos anos, tenho produzido para a SIC generalista (documentários), assim como para a RTP 2. Mas, agora, este convite fez sentido para mim e, de um certo modo, trata-se de um regresso a casa.

Jel: “Na altura do «Vai Tudo Abaixo», sentia que tinha de constantemente estar nos limites de tudo – e assim foi.” Foto: D.R.

«Ainda tenho um sonho ou dois» e «Match day» são dois documentários assinados por ti. Qual o maior desafio enquanto realizador?

O maior desafio é sempre o que estou a fazer no momento. Não sou saudosista nem gabarolas. Portanto, e enquanto artista, estou sempre a olhar para a frente.

 

Há diferenças entre o Nuno Duarte do tempo do «Vai Tudo Abaixo» e o de agora?

Há diferenças, sim. Tem sobretudo a ver com a idade. Na altura do «Vai Tudo Abaixo», sentia que tinha de constantemente estar nos limites de tudo – e assim foi. Com o tempo, amadureci e ganhei outros interesses, coisas mais elaboradas e mais pensadas. Mas não me arrependo de nada do que fiz, nem sequer tenho saudades. Foi feito no seu devido tempo.

 

Continuarás a trilhar caminho na área da comédia?

Neste momento, estou a trilhar um caminho no “stand-up comedy”, em paralelo com o meu trabalho como produtor e realizador. E está a dar bastante gozo, embora me obrigue a escrever bastante – algo que não fazia tanto há uns 17 ou 18 anos, quando comecei.

 

Por que é que temos menos mulheres a fazer comédia em Portugal?

Essa é uma pergunta difícil… Em todos os países, há sempre mais homens do que mulheres na comédia. Essa é uma tradição antiga. Ultimamente, têm aparecido mais mulheres na comédia, mas a proporção ainda está muito desequilibrada. Por outro lado, o que vejo na comédia é que muita gente começa a fazer para vencer a timidez e a insegurança. Talvez isso seja algo mais masculino.

 

Nisto do “stand-up comedy” também se fazem inimigos?

Inimigos e amigos é como em tudo na vida.

 

Existe algum segredo sobre ti que o mundo ainda esteja para conhecer?

Sou um exímio assador de peixe.

 

Na grelha ou na chapa?

Na grelha, claro.

 

Qual o segredo para o peixe não ficar agarrado à grelha?

Aquecer bem a grelha e pincelar o peixe com um pouquinho de óleo vegetal.

 

Tens apetência por alguma espécie piscícola em especial?

Sardinhas.

 

Estás a par do truque de colocar batata crua nas brasas para evitar labaredas?

Conta.

 

Espalham-se as rodelas de batata nas brasas, evitando assim as chamas…

Eu uso a cinza. Espalha-se por cima das brasas e, assim, não cria labareda.

 

Por Abílio Ribeiro [Quântica | Conteúdos]

 

VEJA O “TEASER” DO PROGRAMA «Como Isto Anda»: https://www.facebook.com/nunojel/videos/343132762967970/

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