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EFEMÉRIDE: O caso do “desvio” dos quadros da igreja de Muge

15 de Abril de 1993. Há 26 anos, a população de Muge suspirava de alívio. Afinal, os quadros (4 telas datadas do século XVIII, que aludem à história do Mosteiro dos Jerónimos), levados no ano anterior para uma exposição em Lisboa, tinham mesmo regressado a casa. Foram meses de grande expectativa para a população, que sempre receou não ter os quadros de volta.

A início desta trama remonta a 23 de Novembro de 1992. Nas semanas anteriores a então Secretaria de Estado da Cultura tinha dado conta à população de que as 4 telas, que estavam já há 47 anos na igreja (e que integravam a colecção do Mosteiro dos Jerónimos), iriam regressar à capital para uma exposição. De pouco valeu a sessão de esclarecimento realizada em Muge, na manhã de 23 de Novembro, por iniciativa do Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico (IPPAR, que viria a ser extinto em 2007). Nessa altura, foi dada a garantia de que, após a exposição, as 4 telas voltariam para a igreja de Muge.

O facto do veículo que iria transportar as telas ter matrícula francesa apenas contribuiu para aumentar a desconfiança da população. A recolha das telas foi acompanhada por 20 elementos da GNR – e que, face à agitação popular, foram obrigados a pedir reforço policial. Juntaram-se, assim, mais de meia centena de agentes do corpo de intervenção, equipados a rigor e prontos a serenar os ânimos.

A Junta de Freguesia chegou a receber uma garantia escrita de que as 4 telas retornariam a Muge. Contudo, esse documento e o posterior apelo dos órgãos executivos locais não foram suficientes para desmobilizar a população. Até que, a meio da tarde, a ordem veio do gabinete dirigido por Pedro Santana Lopes: os quadros iriam mesmo para Lisboa, com a justificação de que eram propriedade do Estado – e de que o Governo jamais poderia pactuar com ilegalidades.

A confusão instalou-se aquando da partida do camião, já com as telas no interior. A polícia foi obrigada a intervir. Apesar de desmobilizada, a população chegou a vandalizar a habitação onde residia o padre José Rodrigues Diogo.

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