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Reportagem: Motoristas de Matérias Perigosas reuniram para preparar as negociações de amanhã

O Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), reuniu com os seus associados, ontem à tarde, em Aveiras de Cima. Estiveram presentes mais de 250 motoristas, provenientes de todas as regiões do país para preparar as negociações que se iniciam amanhã, pelas 15 horas, no Ministério das Infraestruturas e Habitação. Negociações que prometem não ser fáceis.

A chegada de 50 camionistas provenientes da região do Porto à reunião em Aveiras de Cima
Foto: José Peixe – D.R

O advogado Pedro Pardal Henriques deixou de ser vice.presidente do Sindicato e vai comparecer na mesa das negociações como jurista ao serviço dos Motoristas de Matérias Perigosas. “Eu e a minha família temos recebidos muitas ameaças, mas não deixarei de estar presente ao lado destes trabalhadores que andam a ser explorados há mais de 20 anos pelo patronato e as petroquímicas”, disse o jurista à nossa reportagem.

“Os motoristas resistentes como o aço e duros de roer como os cornos estão aqui reunidos em Aveiras de Cima para preparar as negociações de segunda feira com os patrões. Contrariamente ao que os patrões pensam, nós já não somos uma associação de motoristas insignificante ou um sindicato bebé. Já demonstramos que somos independentes e temos capacidade de paralisar Portugal. Se não aceitarem as nossas reivindicações, convocaremos uma outra greve!”, afirmou ao “Ribatejo News”, Gonçalo Vieira.

A reunião de Sábado à tarde foi muito participada
Foto: José Peixe – D.R

O Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) vai começar as negociações com a ANTRAM na segunda-feira, tal como foi acordado depois da greve que afectou a distribuição de combustíveis em todo o país.

O sindicato vai pedir salários de 1.200 euros para os profissionais do sector, um subsídio de 240 euros e a redução da idade de reforma.

Estas reivindicações são a base da proposta de Acordo Colectivo para os motoristas de matérias perigosas que o SNMMP vai apresentar à associação empresarial do sector, a ANTRAM, no início das negociações.

Pedro Pardal Henriques vais comparecer na mesa de negociações como jurista do sindicato e não como vice-presidente
Foto: José Peixe – D.R

“Se somarmos todos os complementos que são atribuídos aos motoristas e o salário base de 630 euros dá um valor próximo de dois salários mínimos e é isso que reivindicamos para salário base, que ficaria indexado ao salário mínimo nacional, acompanhando os respectivos aumentos”, disse o presidente do sindicato, Francisco São Bento, em entrevista à Agência Lusa na semana passada.

Mas os suplementos de transporte nacional e internacional são para manter, segundo o sindicato, pois são uma espécie de ajuda de custo atribuída ao trabalhador deslocado em serviço.

O SNMMP vai propor a criação de um subsídio de operação de matérias perigosas, no valor de 240 euros, para compensar os trabalhadores pelo contacto constante com matérias químicas nocivas à saúde.

O reconhecimento da actividade como sendo de “desgaste rápido, para efeitos de reforma” é outra das reivindicações a levar à negociação.

Segundo o presidente do sindicato, a ideia é conseguir que cada quatro anos de trabalho com produtos químicos, seja convertido num ano de abatimento na idade de reforma.

O SNMMP quer um Acordo Colectivo específico para os motoristas que representa porque não se revê no acordo que existe e que foi revisto no ano passado.

Todos quiseram assinar a bandeira do SNMMP em sinal de união
Foto: José Peixe – D.R

A Associação Nacional de Transportadores de Mercadorias (ANTRAM) e a Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS) assinaram no final de 2018 um acordo de revisão das condições de trabalho dos camionistas, que prevê um salário base de 630 euros, acrescido de vários subsídios inerentes à função.

Para o presidente do SNMMP, esta convenção colectiva “está cheia de incoerências e quase não beneficia os trabalhadores, sendo apenas favorável às empresas”.

“No fundo o que nós queremos é um Acordo colectivo que valorize e respeite esta categoria profissional. Não somos melhores nem piores, mas existem diferenças, nomeadamente ao nível das exigências que nos são feitas”, disse Francisco São Bento à Lusa.

“Estamos unidos, somos independentes e vamos lutar pelos nossos direitos!”, sublinharam os motoristas em Aveiras de Cima
Foto: José Peixe – D.R

O Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas foi criado no final de 2018 e tornou-se conhecido com a greve iniciada no dia 15, que levou o Governo a decretar uma requisição civil e, posteriormente, a convidar as partes a sentarem-se à mesa de negociações.

A arbitragem do executivo levou a que os representantes sindicais e empresariais chegassem a acordo, no dia 18 de Abril, ficando o início do processo negocial formal agendado para dia 29 e a paralisação foi desconvocada de imediato.

A elevada adesão à greve surpreendeu todos, incluindo o próprio sindicato, e deixou sem combustível grande parte dos postos de abastecimento do país.

O presidente do SNMMP pediu aos associados para ficarem atentos às negociações que se iniciam amanhã à tarde
Foto: José Peixe – D.R

Durante os três dias de paralisação o sindicato conseguiu mais 200 sócios, que são agora mais de 700, num universo de cerca 900.

E amanhã à tarde poderá ocorrer uma peripécia fora do comum: alguns dirigentes do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas possam aparecer no Ministério das Infraestruturas e Habitação de trotinete com um papel no guiador a dizer Maserati.

José Peixe – Editor e Agência Lusa

 

 

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