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António: cartoonista de Vila Franca de Xira envolvido em nova polémica

Um cartoon assinado por António, o caricaturista nascido em Vila Franca de Xira e que colabora há décadas com o semanário Expresso, foi publicado a 25 de Abril pelo jornal norte-americano The New York Times. O cartoon (publicado originalmente no Expresso, a 19 de Abril) mostra Donald Trump com “kipá” (que simboliza a tradição judaica) na cabeça, de óculos escuros, sendo guiado por um cão com o rosto de Benjamin Netanyahu (primeiro-ministro israelita).

O The New York Times decidiu retirar o cartoon ao fim de 1 dia, após duas publicações feitas pela família Trump (primeiro, o filho mais velho; e, mais tarde, o próprio pai), no Twitter. Para o presidente dos EUA, o cartoon revela «o ponto mais baixo do jornalismo do The New York Times», adiantando que se trata de um desenho «anti-semita» (ou seja, preconceito, hostilidade ou discriminação contra os judeus).

Entre as duas publicações feitas no Twitter por Trump Jr. e por Donald Trump, o The New York Times, entretanto, apagou o cartoon da autoria de António e emitiu uma declaração pública: «um cartoon político na edição internacional impressa do The New York Tomes, na 5.ª feira [25 de Abril] incluía uma mensagem anti-semita. A imagem era ofensiva e foi um erro publicá-la».

Em declarações à SIC, António frisou que o The New York Times «não é um jornal qualquer. O The New York Times ser vulnerável a grupos de pressão é uma coisa que não gostaria de ouvir. Mas pronto, é um facto. Provavelmente, tem a ver com as suas linhas de financiamento, não sei. É um espetáculo triste».

Num outro comunicado posterior, o The New York Times adiantou que a publicação do cartoon teria partido de um único editor, que tomou a decisão sem qualquer supervisão. O jornal norte-americano acrescentou que «o assunto continua sob avaliação», tendo referido igualmente que o cartoon tinha sido disponibilizado pela plataforma The New York Times News Service and Syndicate – e que permite a partilha de artigos entre o jornal e outros 70 projectos editoriais do mundo inteiro.

No início desta semana, ao Expresso, António negou as acusações de anti-semitismo: «É uma crítica à política de Israel, que tem uma conduta criminosa na Palestina, ao arrepio da ONU, e não aos judeus».

Outras polémicas pouco católicas…

Esta não é a primeira vez que o trabalho de António dá azo a polémicas. Em 1992, aquando das declarações de João Paulo II – em que condenava o uso do preservativo –, António assinou um cartoon (publicado na edição de 5 de Abril, desse mesmo ano) que indignou a Igreja Católica. No desenho, João Paulo II ostentava um preservativo no nariz.

Houve quem avançasse com um abaixo-assinado e o assunto chegou a ser discutido no Parlamento. António chegou a admitir que se esperava «um milhão de assinaturas e os seus promotores conseguiram apenas 28 mil».

Repetiu a ousadia em 2009, desta vez tendo Ratzinger como protagonista (com a cabeça envolta num gigante preservativo). A frase proferida por Ratzinger («Não se resolve o problema [da Sida] com a distribuição de preservativos; pelo contrário, o seu uso agrava o problema»), numa visita aos Camarões, foi o mote para a elaboração deste cartoon.

De recordar que António Moreira Antunes (é o seu nome completo) nasceu em Vila Franca de Xira, a 12 de Abril de 1953. Marcelo Rebelo de Sousa considerou que se trata do «melhor caricaturista político da ainda jovem Democracia portuguesa». Antes do Expresso, colaborou em publicações como o Diário de Notícias, A Capital, A Vida Mundial e O Jornal.

Por Abílio Ribeiro [Quântica | Conteúdos]

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