Opinião

Pega de Caras: Sobre o sorriso cínico do mafioso Joe Berardo no Parlamento

Nota Importante: Antes de começar a escrever mais um “Pega de Caras” quero dar os parabéns ao camarada e fotojornalista da Agência Lusa, António Cotrim que conseguiu captar na perfeição um dos sorrisos mais cínicos de um dos maiores mafiosos portugueses da actualidade. Parabéns camarada Cotrim porque foram as tuas imagens que me deram força para escrever este artigo de opinião.

O sorriso cínico e de gozo do comendador Joe Berardo na audição parlamentar na Assembleia da República
Foto: António Cotrim – Lusa – D.R

Afinal de contas em que país vivemos? Como é possível 45 anos depois da Revolução dos Cravos aparecerem Berardos, Granadeiros, Varas, Salgados, Bavas e um ex-primeiro ministro José Sócrates (e tantos outros!) assaltar às claras os cofres da Nação?

Sei que vivemos tempos conturbados e tenho consciência clara de que a Justiça é severa com os mais pobres e fracos, acanhando-se com os poderosos e ricos. O Estado e o aparelho fiscal também.

Ou seja, se um cidadão português ficar desempregado e não puder liquidar as suas contas nem cumprir com as suas obrigações fiscais cai-lhe o céu em cima. Cortam-lhe a água e electricidade. As finanças  O banco avança com a penhora-lhe a habitação num piscar de olhos, para de seguida vender aos seus amigos de outro banco, por ao preço da uva mijona. É assim que os administradores da maioria dos bancos portugueses conseguem verdadeiras fortunas e ninguém os prende.

Mas voltemos ao Joe Berardo que esta manhã volta a merecer destaque na imprensa portuguesa. E até já começou a marcar as intervenções de alguns candidatos ao Parlamento Europeu. Os bancos a quem ele deve muitos milhões, acusam-no publicamente de ter feito um “golpe de Estado” dentro da sua própria fundação.

E a cara de pau deste “burlão” e mafioso perante os deputados da Nação a dizer que pessoalmente não deve nada a ninguém e muito menos aos bancos. E como se não bastasse, deu-se ao luxo de exigir que a sua audiência não fosse gravada e avança como património apenas e só uma garagem no Funchal.

Aproveitando-se e bem da sua dislexia e protegido por um advogado experiente nestes malabarismos de fuga ao fisco, Joe Berardo conseguiu gozar com todos os portugueses inclusive com o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que já declarou algum desconforto e o primeiro ministro António Costa.O Ricardo Salgado também já o fez diversas vezes e em directo para as televisões.

Mas não existe ninguém com tomates neste país que retire o título de comendador a este malandreco Joe Berardo e que o faça pagar os milhões que deve aos bancos? Mas que fartar vilanagem é esta.

É preciso deixar bem claro que este vilão com sotaque sul africano conseguiu “burlar” a Caixa Geral de Depósitos, o BCP e o Novo Banco, com uma quantia de quase mil milhões de euros.

E hoje estas instituições queixaram-se aos jornalistas que o seu cliente quebrou os compromissos assumidos e movimentou-se nos bastidores para os afastar do acesso e do controlo da única garantia com valor que receberam do investidor: o acervo de arte moderna parqueado no Centro Cultural de Belém e detido pela Associação Colecção Berardo (ACB).

Nem o Al Capone conseguiria fazer melhor. Bravo Joe Berardo! Conseguiste demonstrar que és um rapaz habilidoso. E por este teu golpe de mestre devias ser condecorado outra vez.

Que adianta ao cabeça de lista do Partido Democrático Republicano (PDR), Marinho e Pinto, defender que, na polémica em torno do empresário Joe Berardo, “a culpa não pode morrer solteira”. Como ex-jornalista e advogado, o Marinho Pinto já se esqueceu que em Portugal não acontece nada a todos aqueles que roubam milhões?

E o que tem a dizer o primeiro ministro António Costa sobre esta “golpada”? E o senhor Presidente da República? E os deputados da República Portuguesa? E a Procuradoria Geral da República? O Banco de Portugal? A Justiça? O aparelho fiscal e o senhor ministro das Finanças? Gostava de saber.

O Estado não tem dinheiro para pagar aos professores, médicos, enfermeiros e funcionários públicos, mas suporta estas “golpadas” de milhões. Mas que Estado é este? Que classe política é esta que anda por aí aos gritos de Norte a Sul do país?

É por estas e por outras que eu defendo o seguinte: 45 anos depois da Revolução dos Cravos está na hora de avançar com outra revolução. Uma revolução na Justiça. Na política. E em todos os sectores importantes do Estado.Está na hora de julgar e punir sem pestanejar todos aqueles que como Joe Berardo ( e tantos outros referenciados aqui!) roubam os cofres de Portugal.

Ou talvez uma Revolução ainda mais radical e ao estilo das ex-brigadas vermelhas (Itália) ou da ETA (Espanha). Abater sem piedade esta ladroagem que se considera impune e que nos vai deixando cada vez mais pobres. Gente sem escrúpulos não merece viver em palácios e depois aparecerem nas televisões como vítimas a afirmar que não devem nada a ninguém. Que estão inocentes. E que o seu património se restringe apenas a uma garagem.

Enquanto esta gentalha de burlões continuar a passear-se impunemente pelos melhores restaurantes de Lisboa, Portugal jamais sairá desta crise onde se encontra mergulhado.

Chegou o momento de retirar os títulos de comendador a estes larápios. A esta gente sem escrúpulos. Haja alguém com tomates neste país que pegue os bois pelos cornos e os faça pagar aquilo que roubaram.

Mas afinal de contas quem é o Joe Berardo dono deste sorrizinho tão matreiro e cínico?

José Peixe – Editor

 

 

 

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