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Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas fecha “acordo histórico” e desconvoca a greve

O Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) desconvocou esta madrugada a greve marcada para dia 23 de Maio e anunciou “um acordo histórico”, após uma reunião maratona com o Governo e com a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) que começou a meio da tarde de ontem e só acabou às 3:30 da madrugada.

O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos foi fundamental para se conseguir um acordo entre a ANTRAM e o SNMMP
Foto: D.R

“Foi uma longa e dura maratona negocial mas saímos daqui satisfeitos, pois conseguimos assinar um acordo histórico para os nossos associados e que ficará na história do sindicalismo português”, disse o presidente do SNMMP, Francisco São Bento ao “Ribatejo News”.

“Conseguimos fechar um acordo histórico, tanto a nível financeiro como não financeiro, com grande reconhecimento da carreira profissional”, sublinhou ao “Ribatejo News” o advogado do SNMMP, Pedro Pardal Henriques, no final da reunião que decorreu no Ministério das Infraestruturas e da Habitação, em Lisboa e que contou com a presença do próprio ministro Pedro Nuno Santos.

“Por tudo o que conseguimos acordar esta noite com a ANTRAM, decidimos desconvocar a greve que estava prevista para o próximo dia 23 de Maio”, adiantou o jurista do SNMMP à nossa reportagem.

Clima tenso e muito nervosismo antes da meia noite

Por volta da 23 horas a Agência Lusa avançava com estas informações:

“O Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) está esta noite no Ministério das Infraestruturas, em Lisboa, a aguardar uma reunião com o Governo, no âmbito das negociações com a associação patronal ANTRAM, disse o presidente do sindicato.”

Os representantes da ANTRAM perceberam que os motoristas de matérias perigosas estavam determinados em fazer greve
Foto: José Peixe – D.R

A reunião foi convocada a meio da tarde e no encontro o sindicato contou com a presença do ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, e representantes da Associação Nacional de Transportes Públicos de Mercadorias (ANTRAM).

Antes da meia noite havia muito nervosismo e o clima negocial era tenso e bastante complicado. O que levou o presidente do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas, Francisco São Bento, a ser um pouco céptico: “a informação não oficial de que o acordo (de princípio de 10 de Maio) pode ser rejeitado por parte da ANTRAM”.

Ou seja, nesta altura nada fazia crer que se chegasse a um acordo e a Greve se mantivesse, pois foi isto que ficou acordado entre o sindicato e os seus associados.

Francisco São Bento e o jurista Pedro Pardal Henriques mantiveram sempre em cima da mesa de negociações a greve, prevista começar em 23 de Maio e por tempo indeterminado, uma vez que já tinha ficado definido que o pré-aviso de greve se mantinha até estar escrito e assinado o acordo.

Para a história do sindicalismo português

Os dirigentes sindical adiantaram que “não foi nada fácil” conseguir a aprovação dos associados do sindicato para o acordo de princípio com a ANTRAM e que estavam na reunião de boa fé e com vontade de chegar a um acordo.

Nessa altura ainda procuramos contactar alguns dirigentes da ANTRAM, mas do outro lado da linha não havia sinais de vida. Confirmação que as negociações com os sindicalistas e o Governo não estavam a ser fáceis.

Convém recordar que o SNMMP e a ANTRAM chegaram na madrugada de 10 de Maio a um acordo de princípio.

O caderno reivindicativo dos motoristas incluia, além de uma remuneração base de 1.200 euros, um subsídio de 240 euros e a redução da idade de reforma.

O acordo resultou da mediação levada a cabo pelo Ministério das Infraestruturas com a ANTRAM e o SNMMP.

O SNMMP foi criado no final de 2018 e tornou-se conhecido com a greve iniciada no dia 15 de Abril, que levou o Governo a decretar uma requisição civil e, posteriormente, a convidar as partes a sentarem-se à mesa de negociações.

A arbitragem do executivo fez com que representantes sindicais e empresariais chegassem a acordo, no dia 18 Abril, definindo um calendário para o início das negociações, sendo a paralisação desconvocada de imediato.

José Peixe – Editor

 

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