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Opinião: Cristiano Ronaldo – Vá lá, digam mal dele

É tão bom ver e ouvir tanta gente a dizer mal da Seleção Nacional e de Cristiano Ronaldo! Especialmente quando, feitas as contas, estamos perante a equipa campeã da Europa em título e o melhor jogador da história do pontapé na bola cá da terra. Não me interpretem mal: para mim, o maior de todos foi Eusébio (chorei como uma Madalena quando o Senhor Ferreira (como alguns amigos o tratavam) nos deixou. E depois de Eusébio, há Figo, talvez o mais inteligente dos portugueses que vi jogar – um líder sem braçadeira, um general em campo, o jogador que mostrava o caminho da vitória aos companheiros quando a coisa parecia perdida – lembram-se naquele jogo com a Inglaterra no Euro’2000?

E depois há esse fenómeno chamado Cristiano Ronaldo.

Cristiano Ronaldo é um fenómeno inigualável Foto: Francisco Paraíso FPF – D.R

Aqui há uns anos, entrei na discussão: quem é melhor, Messi ou Ronaldo? Disse, e mantenho, que o argentino é o melhor jogador de futebol do Mundo, daquele futebol de rua, de improviso, de magia infantil. Disse, e mantenho, que o português é o melhor atleta do Mundo a jogar futebol. Parece a mesma coisa, mas não é. Ronaldo não consegue fazer muito do que Messi faz, mas Leo também não tem capacidade de imitar o madeirense em tantas outras coisas.

Por isso, como jornalista, mesmo português, nunca me preocupei muito com essa “coisa” de saber quem é o melhor. Os dois são os melhores da última década do futebol mundial, e estão entre os melhore de sempre na história da modalidade.

Para lá dos feitos conseguidos nos clubes, o que distingue, hoje por hoje, Cristiano Ronaldo de Lionel Messi é o que têm conseguido nas respetivas seleções nacionais. E aí, meus caros, acabam-se as dúvidas. Cristiano Ronaldo é campeão europeu com Portugal e Messi nunca ganhou nada com a Argentina,

O que Cristiano Ronaldo conseguiu quarta-feira à noite, no Estádio do Dragão, frente à Suíça, foi apenas mais uma amostra do que feito desde a estreia, a 20 de agosto de 2003, em Chaves, diante do Cazaquistão. Leva já 88 golos em 157 jogos – ambos registos recordistas na história da Seleção Nacional. Mais impressionante ainda, apenas 16 dos 88 golos foram apontados em jogos particulares, o mesmo é dizer que se contássemos apenas os 72 golos em jogos oficiais ainda assim deixava a larga distância Pedro Pauleta (47) e Eusébio (41) os homens que fecham o pódio dos melhores marcadores de sempre com a camisola das quinas. E para ter outra ideia da dimensão dos seus golos basta reparar que Cristiano Ronaldo marcou a nada menos que 36 seleções diferentes!

Os 100 golos parecem estar ali ao virar da esquina. Ninguém o diria, quando o miúdo que tinha vindo da Madeira um dia sentiu saudades de casa e esteve à beira de largar o futebol.

José Carlos Freitas – Jornalista Desportivo e Comentador

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