Opinião

Opinião sem Censura de Catarina Vaz: Os vendidos e os que se deixam comprar

EM MEU NOME… Os vendidos e os que se deixam comprar

Quem me conhece bem sabe que eu adoro provérbios e é exatamente com um muito
antigo que vou começar hoje a minha crónica:

“Quem nasceu para vintém a dez reis não chegará.”

Os antigos designavam assim as pessoas que apesar de terem uma grande ambição
nunca chegariam a ser mais do que aquilo que eram, porque não estava no seu destino
ser diferente daquilo para que tinham nascido ou ser diferente no seu meio ambiente ou
comunidade onde estavam inseridos.

Apesar de uma certa evolução civilizacional, isto continua a ser verdade. Olhem à vossa
volta e verão no vosso local de trabalho, no supermercado, no café, na rua… em todo o
lado. pessoas que parecem ter nascido, crescido, lutado e nunca sairam da “cepa-torta”.
Esses são os simples, honestos e a grande maioria dos portugueses!

Apraz-me aqui aplicar outro dos nossos provérbios populares para falar daqueles que
por osmose ou simbiose passam, de um dia para o outro, a ser figuras preponderantes
em determinados sítios sem qualquer luta ou nada que os faça diferentes do comum dos
mortais: “Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado vem”!

E porque me lembrei eu de falar aqui de provérbios populares?!

Ora, nem mais nem menos, para falar de um tema que é muito actual: a corrupção.
Sempre ouvi dizer que o poder corrompe as pessoas. Mas será isto verdade? Ou será que
o poder revela o verdadeiro carácter das pessoas?

Perguntas que eu muitas vezes me faço perante alguns dos acontecimentos a que vou
assistindo quer na minha comunidade quer no meu país.

E como se explica a corrupção daqueles que não têm realmente poder?!

Conheci, há alguns anos, uma pessoa que se aproximava dos “poderosos” e se tornava
confidente e conselheira dos mesmos no intuito de tirar proveito profissional. A esses eu
apelido de “vendidos”, pois só conseguem ter valor ou valores (monetários, claro)
quando são úteis ou prestáveis a quem está na mó de cima.

E o que dizer daqueles que tendo status social e profissional optam por se deixar
comprar?! Naturalmente, têm sempre algo a ganhar com a troca de favores que fazem
com aqueles que lhos solicitam.

Infelizmente, vivemos numa sociedade em que o parecer é muito mais importante do
que o ser e em que se começa desde o berço a competir para se ser o mais bonito, o mais
bem vestido, o com melhores notas… o melhor em… o melhor de… o melhor de sempre!
E onde fica a ética, a solidariedade, a transparência… em suma, os valores?!

Não sei, não sabemos!

O que sei é que se assiste a um retrocesso civilizacional e, como diria a minha avó
paterna:
– “Pelo céu vai uma nuvem. Todos dizem: bem a vi! Todos falam e murmuram, ninguém
olha para si!”

Catarina Vaz – Professora

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