Opinião

Opinião: Em meu nome… o “diz-que-disse” ou o poder do boato

Quem vive em comunidades pequenas ou, até, em comunidades virtuais já foi vítima de um boato, que muitas vezes é pura maldicência (fruto da inveja da vida alheia) que visa prejudicar alguém ou chegar a determinado objetivo.

O famoso “diz-que-disse” que se traduz numa notícia que não corresponde à verdade e que, apesar de dificil comprovação (ou por isso mesmo…) desperta grande interesse, determinando uma intensa circulação.

Gordon W. Allport, psicólogo estudioso deste fenómeno, afirmou que “grande parte da conversação da sociedade é constituída de intercâmbio de boatos”; Não podia estar mais de acordo.

No nosso dia-a-dia utilizamos com alguma benevolência o boato, seja de forma particular ou intencional.

Utilizamo-lo particularmente quando conversamos com o nosso melhor amigo, como forma de preencher um espaço na conversa ou como partilha de informação. O que não significa que o mesmo não seja maldoso ou não seja, em simultâneo, intencional.

Os boatos na sociedade comtemporânea  Imagem: D.R

Depois existe o boato intencional, aquele que nada tem de ocioso e que visa atingir determinado objetivo e que tem sempre como intenção a manipulação emocional do receptor.

Os boatos variam muito entre si, desde aquele que visa preencher a conversa até ao que visa determinada pessoa ou instituição… desde aquele que só é dito num grupo restrito de pessoas até ao que é transmitido a milhões de pessoas… desde aquele que é transmitido e “morre” até aquele que se cristaliza no tempo e dá origem a “lendas” (lembro aqui o mito de D. Sebastião).

Os boatos servem também a estratégia militar ou a estratéga política, servindo para reduzir a importância ou prestígio de determinada nação ou de determinada classe profissional (relembro o que os sucessivos governos têm feito com os Professores, incutindo na restante comunidade que ganham muito e trabalham pouco).

Muitos dos boatos surgem por frustração ou por medo. Também é verdade que nunca se descobre quem foi o autor do mesmo, pois “alguém disse”!

Mas serão os boatos totalmente falsos? Sim, mas há alguns que até começam por ter alguma ponta de verdade, mas cujas informações são deturpadas para atingir determinados objetivos (sendo alguns deles potenciados em jornais ou páginas da net). Utilizando aqui uma lei matemática: meia verdade + meia mentira = uma mentira!

Machado de Assis definiu com toda a exatidão o boato – é um ente invisível e impalpável, que fala como um homem, está em toda a parte e em nenhuma, que ninguém vê de onde surge, nem onde se esconde, que traz consigo a célebre lanterna dos contos arábicos, a favor da qual se avantaja em poder e prestígio, a tudo o que é prestigioso e poderoso.

Catarina Vaz – Professora

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