Benavente

Ambiente: Estes peixes não são plástico! Estão a morrer no rio Sorraia em Samora Correia

Hoje, o “Ribatejo News” recebeu mais imagens de peixes mortos no rio Sorraia, próximo da ponte do Porto Alto – Samora Correia, e a seguinte mensagem de um pescador que se dedica à apanha do lagostim de água doce nos arrozais da lezíria e solicitou o anonimato:

– “O Director Executivo da Associação dos Beneficiários da Lezíria Grande -Vila Franca de Xira, Joaquim Luís Madaleno anda muito nervoso pelas denúncias que estão a ser feitas e sabe perfeitamente bem que aquele dique está a matar a fauna e a flora no rios Sorraia e Almansor”.

Alguém foi pago para andar os peixes que aparecem mortos no rio
Foto: J.P/D.R

Já Hélder Gregório Martins não teve qualquer problema em esclarecer o seguinte: “Eles receberam várias propostas para fazer uma obra em condições, mas a verdade é que não quiseram gastar dinheiro. Optaram por fazer as obras desta forma e criar ali um aterro na margem direita do Sorraia que até mete nojo. Agora que as associações ambientalistas começaram a interessar-se pelo assunto, já se disponibiliza a dar entrevistas para jornais amigos, no sentido de continuar com aquela represa vergonhosa”.

“O senhor Joaquim Luís Madaleno deve meter na cabeça que não é dono do rio Sorraia nem da Lezíria Grande e muito menos da Reserva Natural do Rio Tejo. E se ele tiver um pingo de consciência deve mandar abrir o paredão de terra que mandou construir. E os presidentes da Junta de Freguesia de Samora Correia e da Câmara Municipal de Benavente deviam ser mais activos nesta problemática e exigir a demolição de uma obra que envergonha todos aqueles que gostam da natureza e do ambiente”, disse ao “Ribatejo News”, Hélder Gregório Martins.

Aqui fica mais uma imagem tirada esta manhã próximo da ponte do Porto Alto
Foto: J.P/D.R

“Estamos desconfiados que a Associação dos Beneficiários da Lezíria Grande -Vila Franca de Xira pagou a alguns pescadores que têm autorizações especiais para apanhar lagostim nos arrozais, para estarem de vigilância no rio e recolher todos os peixes que apareçam à tona de água para que os protestos não se intensifiquem ainda mais”, relatou António Bulhosa à nossa reportagem.

A importância da reserva Natural do estuário do Tejo 

As associações ambientais da “Quercus” e a  “Zero” o  Dia da Reserva Natural do Estuário do Tejo para lançar o ALERTA para uma gestão racional desta área.

O aumento da área de protecção, a necessidade de maior fiscalização da pesca e a melhoria da qualidade da água são desafios apontados pelas associações ambientalistas Quercus e Zero na gestão da Reserva Natural do Estuário do Tejo.

Esta sexta-feira, 19 de Julho, assinala-se o Dia da Reserva Natural do Estuário do Tejo, criado pelo Estado com o objectivo de iniciar uma gestão racional da área de modo a não comprometer as suas potencialidades biológicas.

Em declarações à Agência Lusa, João Branco, membro da direcção da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, sublinhou que a reserva é uma área importante a nível nacional e internacional devido à dimensão biológica. Durante o Inverno, segundo João Branco, a reserva chega a receber mais de cem mil aves migratórias.

Porém, apesar de aclamada pela sua diversidade biológica, a Reserva Natural do Estuário do Tejo enfrenta desafios ambientais – por estar localizada junto a áreas povoadas, por exemplo, acarreta problemas ao nível da qualidade da água, além de haver espécies invasoras entre os peixes, bivalves e invertebrados.

“À medida que essas espécies invasoras se espalham pelo território, as espécies nativas diminuem obrigatoriamente, porque competem pelo mesmo habitat e pelos mesmos recursos”, explicou o membro da direcção, apelando à criação de políticas que minimizem este efeito.

A dimensão da reserva é outro dos problemas apontados pela Quercus, que considera necessário um alargamento da sua área terrestre, nomeadamente nas margens do Tejo até Vila Franca de Xira e nas margens de Alverca do Ribatejo.

“As reservas eram coisas que não eram desejadas e eram feitas nos limites dos locais onde ninguém se iria queixar”, referiu João Branco, acrescentando que esta é a razão pela qual muitas zonas húmidas estão fora da reserva. No seu entender, “há uma série de zonas envolventes que merecem uma requalificação” com vista a fazer parte da reserva natural.

A protecção das margens e dos mouchões é outro ponto que João Branco salientou como carecido de políticas protectoras, recordando o rombo ocorrido no Mouchão da Póvoa, que levou parte significativa desta ilha.
O representante criticou o tempo que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) demorou a intervir nesta situação, tendo em conta que era “aquela que tinha competências para autorizar intervenção”.

“Todo o estuário e todo o rio têm que ser geridos de forma a conservar os valores naturais e a Reserva Natural do Estuário do Tejo”, apelou, lamentando que a população veja este conjunto de forma isolada.

Partilhando da opinião em relação à importância desta área, Paulo Lucas, da direcção da Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável considerou que a reserva “tem sido um dos marcos da conservação da natureza em Portugal” e admitiu tem sido sujeita a muitas pressões, principalmente pelo facto de estar localizada numa área povoada.

A grande ameaça actualmente, indicou, é o projecto do aeroporto do Montijo (distrito de Setúbal), considerando que a construção pode vir a ter um impacto muito significativo no ecossistema da reserva.

De acordo com Paulo Lucas, existe a intenção de fazer dragagens no rio Tejo de forma a reforçar o acesso marítimo de mercadorias à plataforma logística da Castanheira do Ribatejo, uma medida que está a ser alvo de críticas.

Considerando os estuários como “zonas de maternidade”, Paulo Lucas apelou à continuação do esforço de fiscalização da pesca ilegal.

Mostrar mais

Related Articles

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back to top button
Close
Close