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Opinião sem Filtro: Tentáculos do Polvo Socialista tentam esmagar a greve dos motoristas das matérias perigosas

Hoje, uma emigrante francesa, numa resposta a um jornalista da SIC que a questionava sobre a opinião que ela tinha sobre esta greve em Portugal, respondeu que achava normal, pois em França acontecia com frequência e tinham de saber lidar com isso. E é verdade. Em França, o governo não brinca com os sindicatos. Por lá, o poder de mobilização sempre foi pantagruélico. A adesão é sempre muito forte, e quem não aderir, paga muito caro o incumprimento.

Recordo um camionista português, meu amigo, que me dizia: “sabes Mário, quando os camionistas franceses estão em greve, e eu tenho de passar em território francês, sou obrigado a parar o camião, caso contrário estou sujeito a ser apedrejado. Foi o que já aconteceu a camaradas meus. Nem sabemos de onde vêm as pedras. Por vezes, são lançadas de cima das pontes.”

A última vez que estive em Paris perdi o avião e fiquei fulo. Eramos quatro pessoas e tivemos de pagar, do nosso bolso, os bilhetes de regresso a Portugal sem termo culpa nenhuma. Havia uma greve. A “Opération Escargot” (Operação Caracol), uma marcha lenta em redor de Paris dos taxistas em protesto contra a Uber. Resultado? Demorámos mais de quatro horas para percorrer 20 km.

Os jornalistas vieram a descobrir que o advogado da ANTRAM é um militante do Partido Socialista com aspirações a cargos políticos
Foto: D.R

Por cá, neste país dos brandos costumes e do deixa andar, sempre à espera que o vizinho resolva o nosso problema, porque estamos acomodados e não temos tempo para nos chatear, estivemos sempre reféns das grandes centrais sindicais – GCTP e UGT. Estes dois organismos, além de reféns dos políticos, nunca evoluíram, e as suas formas de luta limitaram-se a alguns passeios, às sextas-feiras, a pé, pelas ruas de Lisboa de bandeiras costas e algumas palavras de ordem defronte à Assembleia da República e ao Palácio de São Bento. Completamente caduco! Nunca se lembraram do uso das novas tecnologias da comunicação e informação e de outras formas de luta. Aliás, a CGTP é o espelho caduco do partido que lhe dá guarida.

O sucesso conseguido na greve dos enfermeiros e dos camionistas sustentam a tese que aqui apresento. Nenhum deles esteve refém das duas centrais sindicais, por isso, puderam usar novos métodos e novas formas de luta, o que obrigou o Governo a trabalhar e a adaptar-se.

Então o que fez a máquina de marketing do PS? Atuou em várias frentes. É um clássico de atuação do marketing político: anular os pontos fortes da oposição e enriquecer os pontos fracos do governo. Em primeiro lugar, tentou fragilizar o homem forte do sindicato. A vida de Pardal Henrique foi investigada e posta a nu. A meu ver, encontraram muito pouco, e os usos dos direitos de resposta desmontaram o que o tentaram incriminar. Escolheram o ministro Vieira da Silva para dar a cara, o que é estranho, pois considero que este deveria ser um assunto para ser resolvido pelo ministro da Administração Interna. Além de ser um ministro experiente, se as coisas correrem mal, como está de saída, é menos um quadro socialista que se queima.

Depois, “compraram” um advogado para fazer a propaganda do governo nas televisões todos os dias. André Matias de Almeida é advogado e porta-voz da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), é militante do PS e foi nomeado para dois cargos pelo atual Governo do PS.

Em maio de 2017, o jurista foi nomeado para o cargo de presidente do Conselho Geral do Fundo Autónomo à Concentração e Consolidação de Empresas. E em junho de 2017 foi nomeado presidente do Conselho Geral do Fundo Imobiliário Especial de Apoio às Empresas. As duas nomeações foram efetuadas pelo então secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos.

Por outro lado, sabe-se que André Matias de Almeida é irmão de Bruno Matias Almeida, adjunto do secretário de Estado da Economia, João Correia Neves, desde outubro de 2018. E ainda que André Matias de Almeida é militante do PS.

Por outras palavras, o homem que vem defender todos os dias às televisões o Governo faz parte do polvo que nos domina a todos, a FAMILYGATE.

Mário Gonçalves – Jornalista

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Comentários

    1. Agradeço, José Carlos. Enquanto jornalista, defendo aquilo que considero – na minha opinião – a justiça e a verdade. Neste caso, o motoristas. Abraço.

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