Opinião

“Pega de Caras”: Em Portugal uns roubam até não poder mais e alguns cidadãos trabalham até morrer

A tarde de ontem ficou ensombrada com a morte de um operário qualificado, João António Simões, de 70 anos, natural de Samora Correia, na fábrica de transformação de tomate da Sugal, em Benavente. Apesar de possuir muitos anos de experiência de trabalho em ambientes industriais e de conhecer bem o lugar onde trabalhava, foi vítima de um acidente e de uma morte horrível.

Mas mais terrível ainda foi saber que mesmo com os bombeiros e com o INEM na Sugal, para resgatarem os pedaços do corpo do operário falecido, a unidade fabril continuou em laboração. Como se a morte de João António Simões fosse insignificante. E isso indignou muitos operários que estavam a trabalhar e muito mais os companheiros da vítima.

Em contacto com um desses operários que solicitou o anonimato, ficamos a saber apenas e só isto: “O que aconteceu ao meu colega João Simões pode acontecer a qualquer um de nós. Foi um acidente de trabalho. Foi uma morte hedionda e terrível. Mas mais terrível do que a morte do João foi perceber a frieza das chefias e da administração da empresa. A Sugal continuou a laborar como se nada tivesse acontecido. E essa frieza é lamentável e triste.”

Muitos dos leitores do “Ribatejo News” que apareceram a fazer comentários na página do Facebook ficaram indignados por saber que o João Simões tinha quase 70 anos e que ainda estava a trabalhar. Por exemplo o João Batista comentou assim a notícia de ontem: “70 anos?? Trabalhar até morrer.”

O professor universitário e nosso amigo de longa data, Eurico Dias ficou-se por aqui: “Com 70 anos e a ser escravo, trampa de país!.”

“Governo deste país que se reforma sem nunca fazer nada, e outros trabalham até morrer!”, escreveu a leitora Elisa Viana, natural de Salvaterra de Magos.

Enquanto editor deste órgão digital, a pergunta que eu deixo a todos os leitores é a seguinte:

– Quantos cidadãos portugueses de 70 anos são obrigados a trabalhar para sustentar as famílias, correndo o risco de morrer como o operário de Samora Correia, João António Simões?

Basta acompanhar o pulsar da actualidade e não embarcar nas programações pimba, para perceber que em Portugal existem uma minoria que rouba milhões às descaradas enquanto outros contam tostões para fazer frente às agruras da vida. E o que acontece aos Salgados, Granadeiros e Berardos? Nada. Absolutamente nada.

O que acontece aos banqueiros, aos autarcas, deputados, secretários de Estado, directores gerais e outros que são apanhados a “sacar” milhões aos cofres da nação. Nada. Passeiam-se impunemente pelas praias algarvias ou noutras instâncias balneares luxuosas.

E quando são presos, oferecem-lhes celas com todas as mordomias que a maioria dos cidadãos portugueses não têm. Em contrapartida, existem portugueses de segunda que são obrigados a trabalhar com 70 anos (e mais!) até morrer.

Isso é triste e provoca indignação. Mas a classe política que governa Portugal está-se nas tintas para isso. O que importa agora é encher todos os jerricãs de combustível e comprar mais uns mantimentos no supermercado porque vem aí mais uma greve de motoristas.

E são situações como estas que fazem com que nós sejamos um dos povos mais castiço da União Europeia. O resto é conversa. Alguns vão continuar a morrer em indústrias de transformação, na agricultura e na construção civil até aos 70 anos. Porque neste cantinho à beira mar plantado, existem alguns que trabalham até morrer. Outros morrem de tristeza. É o Portugal contemporâneo que temos. Infelizmente.

José Peixe – Jornalista (C.P 552A)

 

 

 

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Comentários

  1. Insistir, insistir e insistir é a palavra de ordem. Os que devem e podem tentsr reverter o destruição do mosso PLANETA (se é que ainda vamos a tempo) acham que o que os CIENTISTA e próprio planeta nos dizem e mostram é só para esta geração e que a vindoura incluindo os seus próprios descendentes não vão sofrer consequências deste descaso, por ignorância?…Não! POR AMBIÇÃO sem terem a NOÇÃO de que ninguém vai herdar nada pq o planeta vai SUCUMBIR.

  2. Para não estar a repetir o que já foi dito nos comentários anteriores pq concordo com quase tudo que foi dito, acrescento que não é só responsabilidade deste governo mas sim de todos os outros que por lá passaram.

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